Crianças devem fazer atividades físicas, mas é importante que os pais fiquem atentos à segurança, alerta estudo
Brincar – seja de bicicleta, de bola ou no parquinho – é a forma mais eficaz de se combater a obesidade infantil, mas é também a principal causa de acidentes entre as crianças. Um novo estudo mostra como, com simples ações – tanto por parte do poder público como dos pais -, é possível manter as crianças em atividade e ainda prevenir acidentes, inclusive os seguidos de morte.
“Há muitas abordagens comportamentais e ambientais para se realizar atividades físicas mais seguras que esboço em nosso estudo”, diz Keshia Pollack, da Universidade Johns Hopkins.
Por exemplo, estimular os pais levem seus filhos à pé para a escola. De acordo com o artigo, publicado no periódico Health and Place, crianças que vão e voltam a pé da escola são mais prováveis de atingir os níveis recomendados de atividade física diária, em comparação às demais. Andar a pé ou de bicicleta estimula as crianças a criarem o hábito de se manterem fisicamente ativas.
O pesquisadores destacam, entretanto, que tanto caminhar como andar de bicicleta são a segunda causa de acidentes entre as crianças dos cinco aos 14 anos de idade. “As políticas públicas que tornam estas atividades mais seguras existem e novas estão sendo criadas. A chave é a prevenção: ela deve ser incorporada em estratégias. O objetivo deve ser maximizar os benefícios e reduzir os riscos”.
A Suécia é apontada como um exemplo desta integração entre a ações governamentais que promovam um ambiente propício à mudança de comportamento e a adoção por parte da população às alternativas de transporte. Em 1954, um programa nacional de segurança infantil foi estabelecido naquele pais em parceria entre setores públicos e privados. O programa usou de políticas públicas para promover mudanças estruturais, ambientais e comportamentais para reduzir as lesões ou acidentes durante as atividades de recreação das crianças. Entre as ações estavam a criação de novas estradas, asfaltamento de antigas e criação de ciclovias. Os resultados foram dramáticos: entre 1966 e 2001, os acidentes seguidos de morte caíram para menos de 50%.
“Andar de bicicleta ou andar são grandes exercícios e trazem enormes benefícios à saúde. Mas também sabemos que usar o equipamento adequado, como o capacete, ou caminhar na calçada – em bom estado de conservação – são ações fundamentais para prevenir acidentes”, diz David Sleet, que também participou do estudo. “É o tipo de comportamento que ajuda a manter estas atividades mais seguras”, conclui.